Como a humidade afeta a despeliculagem do caju
Acerte na humidade, despelicule mais inteiras
A humidade da amêndoa é o fator oculto da despeliculagem. Demasiado seca e as amêndoas estilham; demasiado húmida e a película agarra-se. Uma janela de humidade estreita maximiza o rendimento em amêndoa inteira.
A humidade — na verdade o teor de água da amêndoa — tem um grande efeito no rendimento da despeliculagem do caju. Após a secagem borma, as amêndoas ficam a cerca de 3% de humidade e podem estar quebradiças; despeliculá-las demasiado secas estilha as inteiras, enquanto despeliculá-las demasiado húmidas deixa a testa agarrada. O ponto ideal é uma janela de humidade estreita, alcançada recondicionando brevemente as amêndoas secas numa câmara de humidificação antes da despeliculagem. Acertar nessa janela é um dos maiores fatores do rendimento em amêndoa inteira (calibre W).
A despeliculagem é a etapa a quem se atribui uma quebra que não causou. Uma amêndoa chega à despeliculadora já decidida: se foi seca a 3 % e entrou diretamente, parte-se por muito suave que a máquina seja. A janela de humidade é o verdadeiro comando, e é estreita.
Os três alvos de humidade, e porque são diferentes
| Ponto da linha | Humidade alvo | Para que serve |
|---|---|---|
| Castanha em bruto à receção | 8–10 % | Estabilidade de armazenamento antes do processamento. Mais húmida e a castanha ganha bolor no terreiro. |
| Amêndoa à saída da secagem borma | 3–4 % | Seca o suficiente para a película ficar quebradiça e largar a amêndoa. A amêndoa também fica quebradiça, e é aí o problema. |
| Amêndoa à entrada da despeliculadora | 5–6 % | A janela. Humidade superficial suficiente para a amêndoa fletir em vez de estilhaçar, enquanto a película se mantém quebradiça para se soltar. |
| Amêndoa acabada na embalagem | 3–5 % | Estabilidade em embalagem selada. Acima disso, risco de bolor numa viagem longa. |
Quatro números, três deles diferentes, todos medidos na mesma amêndoa no espaço de um dia. Confundir o alvo de secagem com o alvo de despeliculagem é a causa mais comum de quebra evitável.
O que acontece fora da janela
| Humidade da amêndoa | Comportamento da película | Comportamento da amêndoa | Resultado |
|---|---|---|---|
| Abaixo de 3 % | Quebradiça, solta-se com facilidade | Quebradiça — fratura-se com a mesma força que retira a pele | Muitas partidas e pedaços. A despeliculagem parece limpa; a mistura de graus não. |
| 3–5 % | Quebradiça | Ainda frágil na parte baixa | A melhorar, mas o extremo inferior desta banda é onde estão a maioria das fábricas mal condicionadas |
| 5–6 % | Quebradiça, solta-se limpa | Flete sob carga | O alvo. Rendimento máximo em inteiras. |
| 6–8 % | A amolecer, começa a agarrar | Resistente, aguenta o manuseamento | Má despeliculagem. As amêndoas saem com película agarrada e precisam de repasse. |
| Acima de 8 % | Coriácea, agarra a amêndoa | Mole, marca-se com facilidade | A despeliculagem falha. O repasse danifica mais amêndoas do que a primeira passagem. |
A assimetria conta: demasiado seco custa-lhe inteiras em definitivo, demasiado húmido custa-lhe uma segunda passagem. Havendo escolha, peque por húmido.
Como funciona uma câmara de humidificação
Uma câmara de humidificação é uma sala controlada, não uma imersão. As amêndoas ficam em tabuleiros com humidade relativa alta durante algumas horas e absorvem água à superfície — que é exatamente o que se pretende, porque a intenção é tornar a camada externa flexível sem molhar a amêndoa por dentro. As câmaras vão de 0,5 a 4,5 toneladas por lote; as pequenas levam 5 a 7 horas, as de 2 T e 4,5 T levam 3 a 5.
Humidade relativa, não água
a sala é mantida a HR alta e as amêndoas equilibram-se com ela. Pulverizar diretamente molha umas e falha outras, e as que ficaram molhadas marcam-se.
Tempo, não intensidade
a água tem de migrar para a camada superficial. Forçar com mais humidade dá um exterior molhado e um interior quebradiço — o pior dos dois estados.
Mesmo chassis do secador
as câmaras de 2 T e 4,5 T são construídas na mesma plataforma dos secadores borma, e por isso as dimensões coincidem. A potência difere: 2 HP contra os 4 HP do secador, porque não há calor a gerar.
E despeliculação sem demora
uma amêndoa condicionada não se mantém assim. A humidade superficial iguala-se para dentro em horas, pelo que um lote deixado de um dia para o outro volta ao ponto de partida.
Diagnóstico por sintoma
| O que está a ver | Causa mais provável | O que verificar primeiro |
|---|---|---|
| Despeliculagem limpa, muitas partidas | Amêndoas demasiado secas — mal condicionadas ou não condicionadas | A humidade à entrada da despeliculadora, não à saída do secador |
| Película ainda agarrada, amêndoas intactas | Amêndoas demasiado húmidas, ou condicionadas tempo a mais | O tempo de ciclo na câmara e quanto esperou o lote antes da despeliculagem |
| Bons resultados no início do lote, maus depois | O lote está a secar no chão entre o condicionamento e a despeliculagem | O intervalo entre as duas etapas e se o pulmão está coberto |
| Resultados irregulares dentro de um lote | Carga desigual na câmara, ou secagem desigual antes dela | A profundidade de carga dos tabuleiros e o fluxo de ar na câmara |
| Marcas escuras nas amêndoas despeliculadas | Sobrecondicionadas e magoadas, ou sobrevaporizadas muito antes | A pressão e o tempo de vaporização — 3–4 bar durante 20–25 minutos |
| Quebra que acompanha o tempo | É a humidade ambiente a condicionar em vez da câmara | Se existe câmara, e se é usada na estação húmida |
Quanto vale
As inteiras brancas valem várias vezes mais por quilo do que os pedaços, pelo que esta etapa não é sobre qualidade de despeliculagem como fim em si, mas sobre mistura de graus. Uma fábrica que despelicula a 3 % e outra a 5,5 % podem correr a mesma máquina ao mesmo ritmo e vender em escalões de preço diferentes. Numa linha de 300 kg/h de amêndoa, essa diferença acumulada numa campanha ultrapassa o custo da despeliculadora.
O número que conta é a humidade da amêndoa no momento em que entra na despeliculadora — não o que o secador tinha regulado, nem o que a câmara tinha. Um medidor de humidade à entrada da despeliculadora é uma compra pequena que resolve a maior parte das discussões sobre de quem é a culpa.
O processo, em esquemas
A escada da humidade
Todos os números de que depende uma fábrica de caju são números de humidade. Leia da esquerda para a direita — é o mesmo percurso das oito etapas, visto pelo teor de água.
As etapas 03 e 04 parecem contradizer-se e não se contradizem. A secagem torna a pele quebradiça; a humidificação amolece apenas a superfície, para que a pele se solte sem que a amêndoa amoleça com ela.
A janela de 2 a 4 horas
O desempenho da despeliculagem decide-se antes de a amêndoa chegar à despeliculadora. Falhada a janela, nenhuma máquina a recupera.
O relógio começa quando as amêndoas saem do humidificador. Para além de quatro horas a humidade redistribui-se pela amêndoa, o gradiente superfície-núcleo desaparece, e o rendimento em inteira branca cai por muito boa que seja a despeliculadora.
A geometria por detrás
A janela de despeliculagem
Dois modos de falha movem-se em sentidos opostos quando a humidade da amêndoa muda. Abaixo de 5 % a amêndoa é suficientemente quebradiça para partir sob a mesma força que retira a pele; acima de 6 % a película amolece e agarra. A janela utilizável é onde ambos são baixos ao mesmo tempo, e é estreita.
Esquema, não dados medidos: as curvas mostram o sentido e o cruzamento, não valores de um ensaio. Os valores de humidade no eixo são os que este site mantém — 3–4 % à saída da secagem, 5–6 % à entrada da despeliculadora, 3–5 % na embalagem.
Perguntas frequentes
Como é que a humidade afeta a despeliculagem do caju?
A que humidade devem estar as amêndoas para a despeliculagem?
Como se leva a amêndoa à humidade certa para despeliculagem?
Porque é que os meus cajus partem na despeliculagem?
Porque fica a película agarrada depois da despeliculagem?
Posso dispensar a humidificação se o meu clima for húmido?
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